A endometriose é uma condição inflamatória em que o tecido que reveste o útero cresce fora dele, causando cólicas intensas. O diagnóstico adequado é fundamental para devolver a sua qualidade de vida.
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Por muitas gerações, as mulheres foram ensinadas de que sentir dor intensa durante a menstruação era algo “normal” e que fazia parte da natureza feminina. Essa normalização do sofrimento fez com que milhares de pacientes passassem anos tomando analgésicos fortes todos os meses, sem investigar a verdadeira causa de tanto desconforto.
Em meu consultório, recebo frequentemente mulheres exaustas por terem suas dores minimizadas. A endometriose é uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade, afetando a rotina, o trabalho e os relacionamentos. No entanto, o cenário hoje é de muita esperança: a ginecologia avançou imensamente e dispõe de ferramentas excelentes para diagnosticar e controlar a doença.
Se você convive com cólicas que atrapalham o seu dia a dia, este artigo foi feito para você. Vamos conversar sobre os sinais de alerta que o seu corpo emite, como realizamos a investigação médica e quais são os caminhos possíveis para que você volte a viver sem dor.
O que é a endometriose?
Todos os meses, o corpo da mulher se prepara para uma possível gravidez. O tecido que reveste a parte interna do útero, chamado de endométrio, fica espesso. Quando a gravidez não ocorre, esse tecido descama e é eliminado na forma de menstruação.
A endometriose acontece quando células desse tecido (o endométrio) começam a crescer fora da cavidade uterina. Elas podem se instalar nos ovários, nas trompas, nos ligamentos que sustentam o útero, no intestino e na bexiga. O problema é que, assim como o útero sangra na menstruação, esses focos espalhados pela pelve também sangram internamente, gerando uma forte reação inflamatória, formação de cicatrizes e aderências entre os órgãos.
Quais são os principais sintomas da endometriose?
A apresentação da doença varia muito de paciente para paciente. Algumas mulheres possuem lesões extensas e sentem pouca dor, enquanto outras possuem focos pequenos que causam dores limitantes. Os sintomas clássicos que merecem investigação incluem:
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Cólicas incapacitantes (dismenorreia): Dor que piora progressivamente a cada ciclo e que não melhora com analgésicos comuns, exigindo repouso ou idas à emergência.
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Dor na relação sexual (dispareunia): Dificuldade e dor profunda durante a penetração, especialmente em determinadas posições.
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Alterações intestinais ou urinárias: Dor ao evacuar ou urinar, sangramento nas fezes ou diarreia que ocorrem exclusivamente durante o período menstrual.
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Dor pélvica crônica: Desconforto constante no “pé da barriga”, mesmo fora dos dias de menstruação.
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Dificuldade para engravidar: A inflamação e as aderências pélvicas podem dificultar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
Cólica Normal vs. Cólica de Endometriose
Para ajudar a identificar se o que você sente está dentro do esperado ou se é um sinal de alerta, preparei esta tabela comparativa:
| Característica | Cólica Menstrual Comum | Cólica Suspeita (Endometriose) |
| Intensidade | Leve a moderada. | Intensa e progressiva, piorando com o passar dos anos. |
| Alívio com medicação | Melhora facilmente com analgésicos simples e bolsa de água quente. | Responde mal aos remédios comuns, muitas vezes exigindo medicação na veia. |
| Impacto na rotina | Causa desconforto, mas permite trabalhar e estudar normalmente. | É incapacitante. A paciente falta ao trabalho, evita compromissos e fica de cama. |
| Sintomas associados | Leve inchaço ou dor nas mamas. | Dor ao evacuar na menstruação, dor na relação sexual ou dor crônica. |
Como é feito o diagnóstico da doença?
O primeiro passo para o diagnóstico é ouvir a sua história com atenção durante a consulta ginecológica. Através do relato detalhado dos sintomas e do exame físico de toque, já é possível levantar uma forte suspeita.
Para confirmar a extensão da doença e mapear as lesões, solicitamos exames de imagem altamente específicos. Os principais são a Ressonância Magnética da Pelve com protocolo para endometriose e o Ultrassom Transvaginal com preparo intestinal. É fundamental que esses exames sejam realizados por médicos radiologistas ou ultrassonografistas com treinamento específico para identificar a doença.
Quais são as opções de tratamento?
O principal objetivo do tratamento é melhorar a sua qualidade de vida, aliviar a dor e, quando for o caso, preservar ou restaurar a fertilidade. Não existe um “melhor tratamento” universal, pois a conduta depende da sua idade, do desejo de engravidar e da gravidade dos sintomas.
As abordagens mais seguras incluem:
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Tratamento clínico (bloqueio hormonal): Utilização de pílulas contínuas, implantes ou DIU hormonal (como o Mirena) para suspender a menstruação. Sem sangrar, os focos de endometriose param de inflamar, proporcionando excelente controle da dor.
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Tratamento cirúrgico (Videolaparoscopia): Indicado quando a dor não melhora com medicações, quando há risco de comprometimento de órgãos (como o intestino ou vias urinárias) ou para tratar cistos grandes nos ovários (endometriomas).
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Mudança no estilo de vida: Acompanhamento com nutricionista para uma dieta anti-inflamatória e fisioterapia pélvica são aliados valiosos na redução da dor crônica.
Quais são as dúvidas mais comuns sobre a endometriose?
Endometriose tem cura?
A endometriose é uma doença crônica e não possui uma cura definitiva. No entanto, com o tratamento adequado e bem acompanhado, é totalmente possível controlar a doença, eliminar a dor e viver com excelente qualidade de vida.
Quem tem endometriose pode engravidar?
Sim! Receber o diagnóstico não é uma sentença de infertilidade. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Para aquelas que encontram dificuldades, a cirurgia de limpeza dos focos ou as técnicas de reprodução assistida (como a Fertilização in Vitro) oferecem altas taxas de sucesso.
O DIU de cobre pode ser usado por quem tem a doença?
Não é recomendado. Os DIUs não hormonais (Cobre ou Prata) tendem a aumentar o fluxo menstrual e as cólicas inflamatórias, o que pode piorar consideravelmente o quadro de quem já sofre com a endometriose. As opções hormonais são as mais indicadas.
Qualquer ultrassom detecta a doença?
Não. O ultrassom transvaginal de rotina, aquele feito rapidamente nos check-ups, geralmente não consegue ver os focos de endometriose (a menos que existam grandes cistos ovarianos). Por isso, é necessário solicitar o ultrassom com preparo intestinal, um exame mais demorado e detalhado.
Menstruar muito é sinal de endometriose?
O aumento do fluxo menstrual (hemorragia) não é o sintoma mais clássico da endometriose. Quando a paciente sangra em excesso e tem cólicas, suspeitamos mais de condições que afetam a musculatura do útero, como os miomas ou a adenomiose, que muitas vezes podem existir simultaneamente.
A endometriose pode virar câncer?
A transformação de um foco de endometriose em um câncer de ovário é um evento considerado raríssimo pela literatura médica. A doença, por si só, é benigna, e o acompanhamento regular garante a segurança da paciente.
Fontes médicas consultadas
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FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) – Diretrizes sobre o Diagnóstico e Tratamento da Endometriose.
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Ministério da Saúde – Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose.
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ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists) – Management of Endometriosis.
Agende a sua consulta
Normalizar a dor é atrasar a sua liberdade e o seu bem-estar. O cuidado com a saúde feminina começa pela validação dos seus sintomas e por um acompanhamento médico pautado no respeito e na escuta ativa.
Se você apresenta cólicas intensas, sente dor nas relações sexuais ou deseja compreender qual é a abordagem mais segura para o seu caso, uma consulta médica permite avaliar o seu histórico de forma totalmente individualizada e cuidadosa.
A Dra. Beatriz Elias Ribeiro realiza atendimento ginecológico em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com foco no acolhimento e na medicina baseada em evidências.
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