Retrato editorial profissional da Dra. Beatriz Elias Ribeiro em seu consultório em Copacabana, celebrando o Mês da Mulher e o empoderamento feminino com um sorriso confiante.

3 Mitos Sobre o DIU Que Estão Roubando Sua Liberdade

O DIU é um método contraceptivo seguro, altamente eficaz e totalmente reversível. Diferente do que dizem os mitos, ele não causa infertilidade, não é abortivo e a sua colocação pode ser feita com bastante conforto.

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No consultório, quando o assunto é planejamento familiar, percebo que muitas mulheres chegam exaustas da rotina de lembrar de tomar a pílula todos os dias. Quando apresento o DIU (Dispositivo Intrauterino) como uma excelente alternativa, é muito comum que os olhos se arregalem por um instante. O medo toma conta, e logo surgem frases como: “Doutora, me disseram que o DIU inflama o útero” ou “Minha amiga disse que a dor de colocar é insuportável”.

A verdade é que poucas áreas da saúde feminina sofrem tanto com a desinformação quanto a contracepção. Historicamente, os métodos contraceptivos foram cercados de tabus, e muitas histórias antigas – da época em que os dispositivos não possuíam a tecnologia de ponta de hoje – continuam sendo repassadas de geração em geração.

Esses mitos acabam roubando algo muito precioso: a sua liberdade de escolha. Viver livre da preocupação diária com a pílula e ter controle sobre o próprio corpo é transformador. Neste artigo, vamos conversar abertamente sobre as três maiores lendas que rondam o DIU, para que você possa tomar uma decisão pautada na ciência e no cuidado com a sua saúde.

O DIU pode causar infertilidade no futuro?

Esse é, possivelmente, o mito que mais assusta as mulheres que sonham em ser mães um dia. A resposta direta é: não, o DIU não causa infertilidade. Essa crença surgiu nas décadas passadas devido a um modelo específico de DIU comercializado nos anos 1970 (que já não existe mais) e que apresentava falhas de segurança.

Os dispositivos intrauterinos atuais são extremamente seguros. O mecanismo de ação do DIU, seja ele hormonal ou não, ocorre apenas enquanto ele está dentro da cavidade uterina.

  • Retorno imediato da fertilidade: Uma vez que o DIU é retirado pela ginecologista, o seu corpo volta ao estado fértil natural. Não há nenhum resíduo permanente no útero. Mulheres que usaram o DIU por 5 ou 10 anos têm a mesma chance de engravidar do que aquelas que nunca utilizaram o método.

  • Ação localizada: A ação contraceptiva não afeta os seus ovários de forma permanente e não danifica as trompas de Falópio, desde que o acompanhamento ginecológico esteja em dia para prevenir e tratar infecções comuns.

A colocação do DIU é insuportável e muito dolorosa?

O receio da dor é o que mais faz as mulheres desistirem do procedimento. É importante validar que o útero é um órgão sensível e, sim, o procedimento pode gerar um desconforto semelhante a uma cólica menstrual forte no momento em que o dispositivo passa pelo colo do útero. No entanto, classificar a dor como “insuportável” é um mito que precisa ser quebrado.

Hoje em dia, a medicina oferece diversas estratégias para garantir que a inserção seja um processo acolhedor e tranquilo. Em nosso consultório, o cuidado com a experiência da paciente é prioridade. Para minimizar qualquer desconforto, podemos adotar:

  • Anestesia local: A aplicação de um anestésico no colo do útero antes da inserção reduz significativamente a sensibilidade ao longo do trajeto.

  • Medicamentos prévios: O uso de analgésicos e anti-inflamatórios algumas horas antes da consulta ajuda a relaxar a musculatura uterina e a controlar as cólicas.

  • Ambiente humanizado: O nervosismo e a tensão contraem a musculatura pélvica, o que pode aumentar a percepção de dor. Um atendimento feito sem pressa, com diálogo constante e respeito ao seu tempo, faz toda a diferença no relaxamento corporal.

  • Opção de sedação: Para pacientes que possuem fobias, vaginismo ou muita sensibilidade, o DIU também pode ser inserido em ambiente hospitalar com sedação leve, garantindo um procedimento completamente indolor.

Mulheres que nunca tiveram filhos não podem usar o DIU?

Esse mito é muito repetido, inclusive por profissionais desatualizados, mas a medicina moderna já comprovou exatamente o contrário. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam fortemente os métodos LARC (sigla em inglês para Contraceptivos Reversíveis de Longa Duração), que incluem o DIU, para mulheres jovens e nulíparas (que nunca tiveram filhos).

O útero de uma mulher que não engravidou é ligeiramente menor, é verdade. Contudo, os laboratórios desenvolveram tamanhos específicos para essa anatomia. O DIU hormonal Kyleena, por exemplo, e algumas versões do DIU de Cobre/Prata são menores e possuem introdutores mais finos, sendo perfeitos para mulheres sem filhos.

O DIU oferece a essas mulheres a oportunidade de focar nos estudos, na carreira e no autoconhecimento, com uma taxa de falha inferior a 1%, sem depender da memória diária para tomar uma pílula.

DIU Hormonal x DIU Não Hormonal: Como escolher?

Para que você se sinta ainda mais livre para decidir, é fundamental entender que existem diferentes tipos de DIU. A principal divisão acontece entre os que liberam hormônios e os que são totalmente livres deles.

A tabela a seguir apresenta as principais características para ajudar na compreensão:

Característica DIU Hormonal (Mirena/Kyleena) DIU Não Hormonal (Cobre/Prata)
Material/Ação Libera progesterona (levonorgestrel) localmente no útero. Ação do metal altera o ambiente uterino, tornando-o hostil aos espermatozoides.
Padrão Menstrual Reduz drasticamente o fluxo menstrual; muitas mulheres param de menstruar. Pode aumentar o volume do fluxo menstrual e a intensidade das cólicas.
Duração De 5 a 8 anos (dependendo do modelo e liberação em bula). De 3 a 10 anos (dependendo do tamanho e da composição).
Indicação de destaque Excelente para quem sofre com fluxo intenso, cólicas severas ou endometriose. Ideal para quem deseja manter o ciclo ovulatório natural, sem uso de hormônios.

A escolha entre os tipos de DIU é extremamente individual. O que é perfeito para uma amiga pode não ser o melhor para o seu corpo. Por isso, a decisão é sempre tomada em conjunto durante a consulta ginecológica, avaliando seu histórico, a intensidade das suas cólicas, o volume do seu fluxo menstrual e os seus objetivos de vida.

Quais são as dúvidas mais comuns sobre o DIU?

O DIU engorda?

Não. O DIU não possui calorias e não altera o metabolismo a ponto de causar ganho de peso. Os DIUs de Cobre e Prata não contêm hormônios, logo, não interferem em nada no peso. O DIU hormonal tem uma dosagem muito baixa e de ação local, podendo causar, em algumas mulheres, uma leve retenção de líquido nos primeiros meses de adaptação, mas não o acúmulo de gordura.

O parceiro consegue sentir o DIU durante a relação?

O parceiro não sente o dispositivo, pois o DIU fica guardado dentro do útero. O que fica no fundo do canal vaginal é apenas um fio muito fino e maleável, semelhante a uma linha de nylon, que serve para a remoção no futuro. Com o passar do tempo, esse fio amolece com a temperatura e a umidade do corpo, tornando-se imperceptível.

O DIU pode se mover ou ir parar em outro órgão?

A perfuração uterina ou a migração do DIU para o abdômen são eventos extremamente raros. Quando o DIU é inserido por um profissional qualificado e a paciente realiza o ultrassom de revisão logo após a colocação e depois anualmente, a chance de o DIU “se perder” é praticamente nula. Ocasionalmente, ele pode descer um pouco em direção ao colo do útero (expulsão parcial), o que é identificado no acompanhamento de rotina.

É verdade que o DIU é abortivo?

Não. Essa é uma crença antiga sem qualquer fundamento científico. O DIU age antes da fecundação. Ele cria um ambiente no útero que impede os espermatozoides de chegarem até o óvulo. Como não há encontro do óvulo com o espermatozoide, não há fecundação, logo, não existe aborto.

Existe risco de engravidar usando o DIU?

Nenhum método contraceptivo no mundo é 100% seguro (nem mesmo a laqueadura ou a vasectomia). No entanto, o DIU é um dos métodos mais seguros que existem, com eficácia superior a 99%. A sua grande vantagem é não depender de comportamento (como lembrar de tomar o remédio), o que reduz as falhas humanas a zero.

Posso usar absorvente interno ou coletor menstrual com o DIU?

Sim, perfeitamente. O DIU fica posicionado no útero, enquanto o absorvente interno, o coletor menstrual e o disco menstrual ficam no canal vaginal. Ao retirar o coletor, basta tomar o cuidado de desfazer o vácuo pressionando a lateral do copinho antes de puxar, para não tracionar os fios do DIU acidentalmente.

Agende a sua consulta

A jornada da saúde íntima feminina exige informação e respeito às escolhas de cada mulher. Quebrar mitos sobre o seu próprio corpo é o primeiro passo para viver com muito mais liberdade, segurança e tranquilidade na sua rotina e nos seus relacionamentos.

Se você deseja avaliar qual é o método contraceptivo mais indicado para o seu momento de vida, ou se sente preparada para iniciar o planejamento da inserção do seu DIU com conforto e humanização, uma consulta permite avaliarmos o seu histórico de forma individualizada. A Dra. Beatriz Elias Ribeiro realiza atendimento ginecológico e obstétrico acolhedor em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Aproveite também para se informar e acompanhar dicas diárias sobre saúde da mulher e contracepção! Siga a Dra. Beatriz no Instagram: @beatrizelias_ribeiro.

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