Ter uma mãe que teve câncer de mama pode despertar uma preocupação comum: “Eu também tenho mais chances de desenvolver a doença?”
A resposta é: sim, o histórico familiar pode aumentar o risco, mas isso não significa que você necessariamente terá câncer de mama.
Para entender o que esse histórico representa, é importante considerar não apenas quem teve a doença na família, mas também a idade do diagnóstico, o tipo de câncer, a quantidade de familiares afetados e a presença de outros casos de câncer de mama ou de ovário.
Em algumas situações, uma avaliação individualizada pode ajudar a identificar se há necessidade de acompanhamento diferenciado.
Ter uma mãe com câncer de mama significa que vou ter a doença?
Não. O câncer de mama é uma doença multifatorial, ou seja, seu desenvolvimento está relacionado à combinação de diferentes fatores.
A idade é um dos principais fatores de risco, mas também estão envolvidos aspectos genéticos, hormonais, reprodutivos, ambientais e comportamentais.
Quando existe um familiar próximo com câncer de mama, o risco pode ser maior do que o da população geral. Entretanto, ter esse histórico não significa que a doença será necessariamente desenvolvida.
Também é importante diferenciar o histórico familiar de uma predisposição genética hereditária.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores hereditários, como alterações genéticas que podem ser transmitidas entre gerações.
Quando o histórico familiar merece mais atenção?
Nem todo histórico familiar representa o mesmo nível de risco. Algumas características podem levantar maior suspeita de uma predisposição hereditária, especialmente quando existem:
- Mãe, irmã ou filha com diagnóstico de câncer de mama em idade jovem;
- Câncer de mama nas duas mamas em um mesmo familiar;
- Casos de câncer de ovário na família;
- Câncer de mama em homens;
- Vários familiares com câncer de mama;
- Casos de câncer de mama e ovário concentrados no mesmo lado da família;
- Uma mutação genética conhecida, associada ao aumento do risco de câncer de mama ou ovário, como as alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.
A idade em que o familiar recebeu o diagnóstico também é uma informação importante. Por isso, saber que sua mãe teve câncer de mama aos 40 anos, por exemplo, pode ter implicações diferentes de um diagnóstico ocorrido em idade mais avançada.
Essas informações ajudam o profissional de saúde a avaliar se existe indicação de investigação adicional.
O lado materno e o paterno da família importam?
Sim. Esse é um detalhe que muitas mulheres desconhecem.
Na avaliação do histórico familiar, tanto a família materna quanto a paterna devem ser consideradas.
Isso significa que não devemos observar apenas os casos de câncer de mama na mãe ou nas avós maternas. Casos de câncer de mama, ovário e outros tumores relevantes na família do pai também podem contribuir para a identificação de uma possível predisposição hereditária.
Ao conversar com seu ginecologista, pode ser útil reunir, na medida do possível, as seguintes informações:
- Quais familiares tiveram câncer;
- Qual era o grau de parentesco;
- Qual tipo de câncer foi diagnosticado;
- Com que idade ocorreu o diagnóstico;
- Se houve mais de um caso na família;
- Se os casos estão concentrados no lado materno ou paterno;
- Se algum familiar realizou teste genético e teve uma alteração identificada.
Você não precisa ter todas essas informações para procurar orientação médica. Mesmo um histórico familiar incompleto pode ser um ponto de partida para a avaliação.
E se houver uma mutação genética na família?
Algumas alterações genéticas aumentam significativamente a predisposição ao câncer de mama e de ovário.
As alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 são as mais conhecidas, mas existem outros genes associados a síndromes hereditárias de predisposição ao câncer.
Quando uma mutação é identificada em um familiar, a avaliação dos demais parentes pode exigir uma abordagem específica. Dependendo do caso, pode ser indicado aconselhamento genético, investigação direcionada e um plano individualizado de acompanhamento.
Isso não significa que toda mulher com histórico familiar de câncer de mama precise realizar um teste genético.
A indicação deve considerar a história pessoal e familiar, os critérios clínicos aplicáveis e a orientação de um profissional habilitado.
Quem tem histórico familiar precisa começar a fazer mamografia mais cedo?
Essa é uma das principais dúvidas de quem tem casos de câncer de mama na família.
A necessidade de iniciar o rastreamento mais cedo depende do risco individual. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, na população geral.
Para mulheres com características de alto risco, o acompanhamento pode ser diferente, com início em outra idade e, em determinadas situações, inclusão de exames adicionais.
Por exemplo, um histórico de câncer de mama em familiar de primeiro grau diagnosticado antes dos 50 anos pode indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada para definir a estratégia de rastreamento.
Por isso, não é recomendável simplesmente copiar a idade em que sua mãe começou a fazer mamografia. O acompanhamento deve levar em conta sua própria história e as recomendações adequadas ao seu perfil de risco.
O mais importante é conversar com seu ginecologista para definir quando iniciar os exames e qual estratégia de acompanhamento é mais apropriada para você.
Existe algo que eu possa fazer para reduzir meu risco?
Nem todos os fatores de risco podem ser modificados. A idade e determinadas características genéticas, por exemplo, não estão sob nosso controle.
Entretanto, alguns hábitos podem contribuir para a redução do risco de câncer de mama e fazem parte de uma abordagem ampla de cuidado com a saúde.
Entre as medidas recomendadas estão:
- Praticar atividade física regularmente;
- Manter um peso saudável, especialmente após a menopausa;
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Não fumar;
- Manter acompanhamento regular de saúde;
- Seguir as recomendações de rastreamento adequadas ao seu perfil.
Essas medidas não eliminam o risco de câncer de mama, mas podem contribuir para a prevenção e para a manutenção da saúde ao longo da vida.
Quais alterações nas mamas merecem avaliação médica?
Independentemente da idade ou do histórico familiar, uma alteração nova nas mamas merece atenção.
Alguns sinais que devem ser investigados incluem:
- Aparecimento de um nódulo ou massa na mama;
- Alterações persistentes na pele, como retração ou aspecto semelhante à casca de laranja;
- Retração recente do mamilo;
- Mudança no formato ou tamanho de uma das mamas;
- Secreção espontânea pelo mamilo, especialmente quando ocorre de um único lado;
- Outras mudanças que não sejam habituais para você.
Isso não significa que toda alteração seja sinal de câncer. Existem diversas condições benignas que também podem provocar mudanças nas mamas.
O importante é não tentar identificar a causa sozinha nem esperar o próximo exame de rotina para procurar orientação diante de uma alteração suspeita.
Minha mãe teve câncer de mama. O que devo fazer agora?
O primeiro passo é não entrar em pânico.
Ter uma mãe que teve câncer de mama é uma informação importante para o seu histórico de saúde, mas não determina o seu futuro.
Converse com seu ginecologista e compartilhe o máximo de informações que souber sobre o histórico familiar. A partir desses dados, será possível avaliar se você apresenta um risco semelhante ao da população geral ou se existem características que justificam uma investigação mais detalhada.
Para algumas mulheres, pode ser indicado um acompanhamento diferenciado. Para outras, a recomendação será seguir as orientações de rastreamento da população geral.
O mais importante é que essa decisão seja individualizada, considerando suas características e necessidades.
Outubro Rosa também é sobre conhecer o seu risco
O Outubro Rosa é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre o câncer de mama, mas o cuidado com a saúde das mamas deve acontecer durante todo o ano.
Conhecer o histórico da sua família, reconhecer mudanças no próprio corpo e manter o acompanhamento ginecológico são atitudes importantes para cuidar da sua saúde.
Se você tem histórico familiar de câncer de mama ou ovário e não sabe o que isso representa para o seu risco, uma avaliação individualizada pode ser um bom ponto de partida.
Cada história familiar é diferente — e o acompanhamento também deve ser.
Agende uma consulta com a Dra. Beatriz para avaliar seu histórico familiar e definir os cuidados e as estratégias de acompanhamento mais adequados para você.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individual.
